
Amada pátria desamada
Hoje tua alma grita,Grita de vergonha
De vergonha teu peito sangra.
Abrem-se os paletós,
Brilham escandalosamente
Colarinhos brancos.
O teatro do congresso orgulhosamente
Apresenta os espetáculos:
Câncer da nação,
A fome e a seca do nordeste
O descaso com a segurança e a saúde pública
E o naufrágio da educação.
Em cartaz há décadas,
Sucesso garantido,
De quatro em quatro anos
Mudam apenas os protagonistas,
Trocam-se os papeis,
O espetáculo procede.
Os coadjuvantes passaram
A ser atores principais,
Ganharam experiências,
Os figurantes tomaram gosto
Pelo podre da lama,
Logo deram seus primeiros passos,
Rumo a corrupção e a hipocrisia social.
Enfim o espetáculo é sem fim,
Perderam-se as rédeas,
Perdeu-se o controle,
O leme já não existe mais,
Estamos escandalosamente
À deriva.
E assim, a pátria amada é desamada,
Caminha a luz de vela
A cada dia que passa vai perdendo sua identidade,
Sua democracia,
Afunda num poço sem fundo,
E afoga-se nas lágrimas da esperança,
Que silenciosamente grita,
Suplica para que não percamos a fé
A fé de lutar,
Em busca do respeito e da dignidade
De uma sociedade mais justa
Igualitária e feliz.
Jane Luiz Gomes
[*Todos os direitos reservados ao autor]
Um comentário:
Otimo!! Esse poema deveria ser enviado aos nossos governantes...
É super interessante a capacidade que a vc tem de ir dos semntimentos aos descasos politicos/sociais!!
Parabens!!
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